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A história do padel sul-mato-grossense

Padel em Mato Grosso do Sul: uma história de mais de três décadas

Registros de 1993 revelam que a modalidade já era praticada em Campo Grande muito antes da expansão atual. FSMP inicia levantamento para preservar a memória do esporte no Estado.

Muito antes da expansão das arenas, dos circuitos competitivos e do crescimento recente da modalidade, o padel já fazia parte da vida esportiva de Mato Grosso do Sul.

Fotografias recentemente recuperadas por praticantes da época registram partidas realizadas em Campo Grande em 23 de abril de 1993. As imagens estão entre os registros mais antigos da prática da modalidade até agora identificados pela Federação Sul-Mato-Grossense de Padel (FSMP) e ajudam a revelar uma história que já atravessa mais de três décadas.

Os primeiros registros


Registro de 23 de abril de 1993, em Campo Grande (MS). Fotografias preservam alguns dos primeiros registros atualmente identificados da prática do padel no Estado. Acervo de praticantes da época.


As fotografias mostram uma quadra particular localizada na região da Rua Caiová, em Campo Grande.

Segundo relatos de pessoas que participaram daquele período, a história teria começado após uma viagem ao Chile, entre 1992 e 1993, quando integrantes de uma família de Campo Grande conheceram o padel, experimentaram a modalidade e, ao retornar, decidiram construir uma quadra.

A partir dali, amigos e familiares passaram a ser convidados para jogar e conhecer aquele esporte ainda pouco difundido no Brasil.

A pesquisa histórica está apenas começando e ainda não permite afirmar que aquela tenha sido a primeira quadra de Mato Grosso do Sul. As fotografias, entretanto, permitem estabelecer um marco importante: em abril de 1993 já se jogava padel em Campo Grande.


Das primeiras quadras a novos espaços

Nas décadas seguintes, a modalidade encontrou outros locais para se desenvolver na Capital.


Academia Campograndense de Raquetes – Carandá Bosque, Campo Grande (MS)
A Academia Campograndense de Raquetes, na região do Carandá Bosque, integrou a história do padel na Capital com duas quadras de alvenaria, características do período anterior à expansão das modernas quadras de vidro.

A memória dos antigos praticantes passa por espaços como a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campo Grande, que chegou a contar com duas quadras de padel, além do Tênis Clube e da Academia Campograndense de Raquetes, na região do Carandá Bosque.



Imagem aérea do Tênis Clube, em Campo Grande (MS), com vestígios das estruturas onde teriam funcionado duas antigas quadras de padel. Acervo da pesquisa histórica da FSMP.

As datas de implantação dessas estruturas e a identificação das pessoas que participaram desse período ainda estão sendo levantadas e serão incorporadas progressivamente ao acervo histórico da FSMP.


O papel dos condomínios

Outro capítulo importante dessa trajetória aconteceu dentro dos condomínios residenciais.

Em uma época anterior à multiplicação das atuais arenas especializadas, quadras instaladas nesses espaços contribuíram para manter comunidades de jogadores e formar novos praticantes.


Damha I – Campo Grande (MS)
Registros da evolução das quadras de padel do Residencial Damha I. Em 2010, o condomínio já contava com uma quadra de alvenaria. Posteriormente, foram implantadas duas quadras de vidro, seguidas pela construção de uma terceira quadra de vidro, acompanhando o crescimento da modalidade entre os moradores e praticantes.

O Residencial Damha I está entre os exemplos dessa fase e tornou-se um conhecido ponto de prática da modalidade, inclusive com a realização de sucessivas edições de torneios internos.

Essa passagem pelos condomínios ajuda a explicar como o padel permaneceu presente em Campo Grande até alcançar o novo ciclo de expansão observado nos últimos anos.


Uma história que também aconteceu no interior

A memória do padel sul-mato-grossense não se limita à Capital.

Ponta Porã desenvolveu uma relação própria com a modalidade, marcada especialmente pela proximidade com Pedro Juan Caballero e pela convivência esportiva entre brasileiros e paraguaios. A fronteira tornou-se um ambiente natural de intercâmbio entre jogadores e competições dos dois países.

Dourados, por sua vez, também consolidou uma comunidade de praticantes e atualmente constitui um dos polos da modalidade no Estado.

A FSMP está buscando registros que permitam retroceder no tempo e identificar as primeiras quadras, jogadores, professores e competições de Ponta Porã e Dourados, incorporando essas histórias à construção da memória estadual.


2020: nasce a FSMP

Depois de décadas de prática da modalidade, 7 de maio de 2020 marcou o início de uma nova fase, com a fundação da Federação Sul-Mato-Grossense de Padel – FSMP.

Participaram de sua constituição, na condição de associadas fundadoras, a Liga Campograndense de Futebol, o Esporte Clube Comercial, o Esporte Clube Águia Negra e o Centro de Iniciação e Treinamento Desportivo.

A criação da Federação estabeleceu uma representação institucional estadual para a modalidade e, com sua integração à COBRAPA, aproximou ainda mais Mato Grosso do Sul da organização nacional do padel.

Ao longo dos anos, acompanhando a própria transformação do esporte, novas entidades diretamente ligadas à prática da modalidade passaram a integrar a Federação.


Uma nova geração de clubes

Atualmente, a FSMP reúne clubes especializados localizados em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, integram a Federação Smart Padel, Winner Padel e Match Padel. Em Ponta Porã, a Saka Sports representa a modalidade na região de fronteira. E, em Dourados, o Drimo Sport Club integra esse movimento de expansão para diferentes municípios.

Essa nova geração de clubes representa uma mudança importante na estrutura do esporte. O padel ganhou mais quadras, professores, atletas, torneios e espaços exclusivamente destinados à modalidade.


Desde 2025, essa expansão também pode ser observada no próprio Campeonato Sul-Mato-Grossense, com etapas em Ponta Porã, Campo Grande e Dourados, aproximando diferentes comunidades de jogadores e fortalecendo uma identidade estadual para o esporte.


Uma história construída por muitas pessoas

Entre uma quadra particular fotografada em 1993 e o circuito estadual de 2026, existem mais de três décadas de histórias ainda por serem recuperadas.

Pessoas construíram quadras, trouxeram raquetes, ensinaram amigos, organizaram partidas, abriram clubes, promoveram torneios e mantiveram o padel vivo quando a modalidade ainda estava muito distante da visibilidade que possui hoje.

São essas histórias que a FSMP começa agora a reunir.


Memória do Padel MS

A Federação Sul-Mato-Grossense de Padel inicia um projeto permanente de preservação da memória da modalidade no Estado.

Atletas, familiares, professores, dirigentes, clubes e antigos praticantes que possuam fotografias, documentos, notícias, registros de torneios ou informações sobre antigas quadras e personagens do padel em Mato Grosso do Sul estão convidados a contribuir.

O material recebido ajudará a complementar a linha histórica e poderá ser incorporado progressivamente a este registro.

Porque a história do padel sul-mato-grossense não pertence apenas às instituições.

Ela pertence a todos que entraram em uma quadra e ajudaram a construí-la.

O crescimento é recente. A história, não.